domingo, 9 de setembro de 2007

Síndrome de Don Juan

Don Juan é um personagem literário tido como símbolo da libertinagem. Descreve-se o donjuanismo como uma personalidade que necessita seduzir o tempo todo, que aparentemente se enamora da pessoa difícil mas, uma vez conquistada, a abandona.

As pessoas com esse traço não conseguem ficar apegados a uma pessoa determinada, partindo logo em busca de novas conquistas. As pessoas com essas características são os anarquistas do amor, tornando válidos quaisquer meios para conquistar, entretanto, os sentimentos da outra pessoa não são levados em conta.


Em psiquiatria clínica, entretanto, o desprezo para com o sentimento alheio pode ser critérios para o diagnóstico de Sociopatia ou Personalidade Anti-Social. Para o Don Juan só interessa o instante do prazer e o triunfo sobre sua conquista, principalmente quando a presa de seu interesse tem uma situação civil proibida (casada, irmã ou filha de amigo, etc). De maneira especial busca mulheres religiosas devotadas, usando de todas as suas estratégias sedutoras. Neste caso disputa diretamente com Deus o coração da “amada”.


Normalmente essas pessoas ignoram a decência e a virtude moral mas seu papel social tenta mostrar o contrário; são eminentemente sedutores. Sobre essa característica o escritor Carlos Fuentes, alega ao seu Don Juan a frase: "Porque nenhuma mulher me interessa se não tiver um amante, marido, confessor ou Deus, ao qual pertença ...".


O aspecto de desafio mobiliza o donjuan, fazendo com que a conquista amorosa tenha ares de esporte e competição, muitas vezes convidando amigos para apostas sobre sua competência em conquistar essa ou aquela mulher. Não é raros que esses conquistadores tragam listas e relações das mulheres conquistadas, tal como um troféu de caça.


Por outro lado, segundo Kaplan, deve haver significativos sentimentos homossexuais latentes desses indivíduos. Esse autor considera que, levando para a cama a mulher de outro, o donjuan estaria inconscientemente se relacionando com o marido, motivo maior de seu prazer. Tanto que é maior o prazer quanto mais expressivo é o marido ou namorado traído.


O narcisismo (traço feminóide) dessas pessoas é uma das características mais marcantes, ao ponto delas amarem muito mais a si mesmas que a qualquer outra pessoa conquistada. Outros autores acham o donjuanismo um excesso do complexo de Édipo, ou fixação na mãe, já que muitos deles não constituem família com nenhuma de suas conquistas e acabam vivendo para sempre com suas mães.


Nos casos mais sérios a inclinação à sedução pode adquirir caráter de verdadeira compulsão, tal como acontece no jogo patológico. De certa forma, a conquista compulsiva do Donjuan serve-lhe para melhorar sua sensação de segurança e auto-estima, entretanto, uma vez possuído o que desejava, já não o deseja mais. Em alguns casos o Donjuan começa a se desestimular com a conquista, quando percebe que a mulher conquistada já está apaixonada por ele, ou ainda, pode nem haver necessidade do ato sexual a partir do momento em que ele percebe que a mulher aceita e deseja o sexo com ele. Por outro lado, se a mulher é indiferente ou não cede à sua sedução, o Donjuan se torna mais obstinado ainda.


Nesse sentido, ele é sempre muito inconstante, desempenha papeis sociais sempre teatrais e exclusivamente dirigidos à satisfação de suas conquistas, por isso faz sempre o tipo "príncipe encantado", tão cultuado pelo público feminino. Ele tem habilidade em perceber rapidamente os gostos e franquezas de suas vítimas e, é igualmente rápido em atender as mais diversas expectativas.


Donjuanismo Feminino


Mesmo com a moda do "ficar com..." e com a maior liberalidade feminina o donjuanismo não desapareceu. Antes disso, atualmente já pode ser possível observá-lo entre as mulheres. Embora num campo da ação muito mais restrito, o donjuanismo continua fazendo suas vítimas sentimentais; agora, femininas e masculinas.

Não há designação satisfatória para descrever a mulher que preenche os requisitos do donjuanismo, mas elas existem indubitavelmente. São também pessoas movidas pela compulsão da conquista do outro, pela inclinação ao relacionamento impossível, seja com homens mais velhos ou muito mais novos, casados, religiosos, padres, enamorados de outras mulheres, enfim, pessoas que oferecem alguma condição de desafio.


No donjuanismo feminino, tanto quanto no masculino, não há necessidade invariável de concluir a conquista através do ato sexual. Basta a mulher perceber que o objeto da conquista está, digamos, aos seus pés, que a motivação para continuar o relacionamento se desvanece.


Normalmente as pessoas com esse perfil de personalidade acabam por não se fixarem com nenhuma companhia mais seriamente, não constituem família e acabam se aborrecendo quando constatam que não têm mais facilidade para conquistar mocinhas de 20 anos quando já estão na casa dos 60. Além disso, muitas vezes acabam ridicularizados por essas tentativas totalmente fora do contexto.


Além disso, eles podem atravessar períodos de grande angústia na maturidade quando se dão conta de que todos seus amigos estão casados têm família e eles já não podem desfrutar de tantas companhias femininas como outrora.

6 comentários:

Anônimo disse...

Eu penso que pessoas que têm esse tipo de comportamento é devido, em grande parte, à falta de amor desde criança. São pessoas que não sabem o que é amar, o que é ser amado por alguém e também não têm estrutura familiar. Não têm conhecimento acerca de Deus e da importância do ser humano.Já me relacionei com alguém assim faz algum tempo. Eu era mocinha e ele era casado. Eu tinha quinze anos ele trinta e quatro. Eu me apaixonei por ele de tanto que ele me dizia coisas "maravilhosas",depois de um certo tempo de insistência( dois anos), eu disse que o amava mas não sairia com ele pois era casado. Você não acredita, Dr., mas ele me mostrou os papéis da separação de seu casamento e me disse horrores sobre sua relação com sua mulher. Eu caí feito um patinho.Me entreguei virgem pra ele.Depois de um tempinho ele se distanciou de mim e me deixou em prantos. Eu o procurava em todos os lugares,louca de amor por ele e me sentindo usada e a pior criatura do mundo. depois eu o vi com a sua mulher aos beijos e abraços.Então percebi que não havia separação nenhuma. Eu tenho problemas afetivos até hoje devido a isso.Sou casada, tenho filhos tenho um trabalho bom,mas sinto muita culpa de ter me entregado a um homem desequilibrado que não queria nada comigo além de sexo.Fui muito idiota,não me perdoo por isso.

Caballerus disse...

Eu descordo do comentário acima. Se isso acontece com mulheres já ditas experientes, o que dirá de uma criança imatura de 15 anos.

"Fui muito idiota, não me perdoo por isso"... Você não deve se culpar por coisas que não conseguiu evitar. Isso deve te fazer um mal danado e você deveria se libertar disso.

É como viver a vida toda se culpando por ter sido rejeitado pelos pais: "Aii eu num fui uma criança boa o suficiente... eu poderia ter sido a criança exemplo!!!" Ahhh isso não existe!!!!

Tem muita gente ruim nesse mundo que quer levar vantagem sobre os outros... o homem que te enganou queria era a sua virgindade mesmo que pra muitos homens é quase um fetish ou troféu...

Nem por isso vamos dizer q ele tenha esta síndrome... pode ter feito isso apenas uma vez na vida...

Eu vejo que tem muito homem safado se aproveitando do sonho das garotinhas do príncipe encantado. Agora a culpa é das garotas por acreditar em fadas ?

Não podemos julgar as pessoas por não saberem o que fazem... Se você fala que isso é falta de Deus, toma essa então:

"Perdoa pai, eles não sabem o que fazem!"

Então perdoa todo mundo, e você também, a vida é mais do que uma transa ou a primeira transa. A vida é mais ainda do que quem te engana ou o sonho destruído.

Não deixe de sonhar, pois ainda há vida, mas tenha em mente que a vida não é feita apenas de sonhos.

Grande abraço e fique com Deus rss.

Anônimo disse...

Ola a todos.
Sou mulher e tive ha algum tipo um pseudo relacionamento com este tipo de pessoa e sinceramnte gostava de saber mais sobre o assunto. na verdade, tenho uma especie de amor maternal que me leva a tentar acoradr a pessoa, a faze-la cair em si e aperceber.se do seu problema. o sexo e interessante mas n e o objectivo. como posso de facto chegar ao intimo de alguem assim? gostaria muito de receber uma resposta do dr.virgilio.
Obrigada

Anônimo disse...

Bom pessoal...

Esta sindrome de Don Juan é algo que não podemos tirar de quem tem... a minha pergunta é... é possivel um homem com sindrome don juanismo se apaixonar por uma mulher que também consiste esta sindrome de Don juanista... =D

Tamires Lunardelle disse...

Tive constante contato com mulheres que desenvolvem esse tipo de comportamento, o ultimo a ser descoberto me fez ficar chocada, pois se tratava de minha melhor amiga. O caso que me deixa muito curiosa é: Seria possível alguém desenvolver essa síndrome a partir de uma obsessão pelo companheiro da pessoa a ser conquistada?

Tamires Lunardelle disse...

Tive constante contato com mulheres que desenvolvem esse tipo de comportamento, o ultimo a ser descoberto me fez ficar chocada, pois se tratava de minha melhor amiga. O caso que me deixa muito curiosa é: Seria possível alguém desenvolver essa síndrome a partir de uma obsessão pelo companheiro da pessoa a ser conquistada?