
“ Uma paixão intensa ou sensação de desprazer, e freqüentemente antagonismo a pessoas, coisas ou fatos, exacerbada por uma sensação de mágoa ou insulto.”
QUEM SENTE RAIVA?
“Todas as pessoas fisiologicamente perfeitas nascem com potencial para sentir e expressar raiva. Mas as coisas que nos causam raiva, as formas como a sentimos e as atitudes que tomamos quando estamos com raiva não são as mesmas para todos . As formas individuais, particulares de como reagimos são APRENDIDAS.” (Dr. Theodore Rubin)
QUAL A ORIGEM E O PROPÓSITO DA RAIVA ?
A Raiva é uma experiência transcultural, isto quer dizer que em qualquer cultura do planeta as pessoas têm reações de raiva. É uma experiência universal. Origina-se de nossa natureza moral. Os seres humanos são seres morais. Isto significa que para vivermos em comunidade estabelecemos normas éticas, direitos, deveres e regras de comportamento. Atribuímos valor de certo ou errado as condutas humanas, e defendemos o direito e a justiça. Estes acordos sociais variam de lugar para lugar, de grupo para grupo. Uma vez que estas normas estejam claras passam a fazer parte da vida interna do individuo influenciando nos significados de suas ações e na interpretação dos fatos e situações diversas. A raiva está ligada a este sistema de representações sociais.
As dimensões emocionais, fisiológicas e cognitivas da raiva dependem do grau simbólico da ofensa. A percepção de um fato e a sua interpretação estão ligadas diretamente a construção dos significados e esquemas de conduta aprendidos na infância. Aprendemos a que reagir e a maneira como reagir.
Propósito da Raiva:
> Reagir construtivamente diante de situações injustas
Raiva não é pecado. Não é maldade. Não é obra do diabo.
APRENDENDO A REAGIR COM RAIVA
É na nossa infância que entramos em contato com a raiva. Convivendo com nossos familiares assimilamos comportamentos raivosos, geralmente tal aprendizado se dá através de 3 mecanismos:
a) IMITAÇÃO – desde cedo a convivência familiar modela nossas ações. Copiamos principalmente nossos pais, seus jeitos de reagir às diversas situações.
b) REPETIÇÃO – Tendemos a repetir os comportamentos deles diante das situações ofensivas ou injustas;
c) IDENTIFICAÇÃO – Os fatos reconhecidos como ofensivos ou injustos pelos pais, geralmente tem o mesmo significado nos descendentes.
COMO É ATIVADA A RAIVA?
A Raiva é sempre estimulada por um FATO. Geralmente as reações incorporam palavras e atos de insatisfação.
NÚCLEOS DE ATIVAÇÃO DA RAIVA
PENSAMENTOS: é em nossa mente que ocorre a análise dos fatos e situações ao nosso redor. Se concluirmos que o fato é injusto temos a formação do núcleo da raiva. Por exemplo: - Mulher sobre o marido: “Se ele se importasse comigo, telefonaria. Ele não tem consideração por mim. Tudo que ele pensa é em seu trabalho.” - Marido sobre a mulher: “Eu conserto as coisas em casa, tomo conta do bebê enquanto ela sai com a mãe e nunca recebo nem um muito obrigado.”
EMOÇÕES: Ao concluirmos que um fato é injusto reagimos emocionalmente. Decepção, dor, rejeição, vergonha geralmente surgem neste momento. O que pode promover reação ou retração nas relações interpessoais.
MUDANÇAS FISIOLÓGICAS: Em nosso corpo também se dá a tradução do efeito ofensivo.
> Glândulas Supra Renais – descarga de adrenalina / noradrenalina, componentes químicos atuam na estimulação, tensão, excitação e calor da raiva.
> Mudanças nos batimentos cardíacos, respiração, pressão sanguínea e trato digestivo.
A grande questão agora é:
É POSSÍVEL CONTROLAR PENSAMENTOS, EMOÇÕES, REAÇÕES FISIOLÓGICAS?
Certamente o mais complicado seja controlar os pensamentos. Ele é a raiz, o núcleo do comportamento irado. Cabe ao individuo aprender a controlar seus pensamentos.
Em resumo: Raiva (ira) é o conjunto de emoções, pensamentos e reações físicas que experimentamos, quando concluímos que algo nos agrediu ou alguém nos tratou de modo injusto.
DIFICULDADES:
A percepção de injustiça nem sempre é correta. A natureza humana é limitada e egoísta, e, além disso, o que para mim parece injusto, pode não ser para o outro. A maneira como fui educado pode não corresponder ao meio em que eu vivo, logo passo a sofrer por causa das reações das pessoas. Fatores relacionados a auto-estima baixa podem também interferir na maneira com que eu reajo.
Podemos dividir as reações de Raiva em duas:
1) RAIVA LEGÍTIMA – baseada na interpretação e reação adequada ao fato. Houve um mal e eu reajo a ele de maneira assertiva e construtiva.
2) RAIVA DISTORCIDA – baseada em falsas impressões e reações comprometidas. É uma raiva que não tem razão de existir. É o resultado de uma percepção errônea de um fato. Geralmente não está ligado a nenhuma transgressão moral.
Segue geralmente este trajeto: ACONTECIMENTO >>> INTERPRETAÇÃO ERRÔNEA >>> RAIVA
ANTES DE REAGIR PERGUNTE-SE:
- Minha ação é POSITIVA em lidar com o erro e tornar saudável a relação?
- Minha ação é AMOROSA, ou seja, visa beneficiar o outro que estou lidando no caso, ou é só revanchista ?
- Que erro foi cometido? Conheço todos os fatos?
Resposta Construtiva à Raiva: Honestidade, Clareza e Amor.
CINCO ETAPAS PARA LIDAR COM A IRA
Adaptado: Dr Gary Champmam
1) Admita conscientemente que está irado
2) Adie sua resposta imediata
3) Localize o foco da ira
4) Analise suas opções
5) Tome uma atitude construtiva
LEMBRE-SE DOS SIGNIFICADOS:
Muitos padrões Internos emocionais e intelectuais foram aprendidos na infância e cultivados durante os anos de existência. Cada um de nós teve experiências diferentes, logo o significado de cada atitude varia de indivíduo para indivíduo. O que para você representa atributos e valores inquestionáveis podem não encontrar equivalência no outro. Ex. pontualidade, respeito, perfeccionismo, expectativas, certo x errado etc... O erro mais comum que cometemos é expressar a Raiva através de Julgamentos. O caminho praticamente tem seu percurso definido: acusações – cobranças – ressentimentos – reações
A RAIVA E SUAS REAÇÕES:
Explosão: ocorre quando são adotadas atitudes, gestos e palavras agressivas, descontroladas e imediatas. “Bateu, levou.” “Pisou no meu calo.” “Falei o que pensava.” Acompanhadas de gritos, xingamentos, destruição patrimonial e em muitos casos agressões físicas. Resultados:
- Não é construtivo (prejudica o relacionamento);
- Destrói a Auto-estima (depressão);
- Cria barreiras entre as pessoas (compromete as relações futuras);
Implosão: não é reconhecida facilmente porque está aprisionada no interior do indivíduo. Normalmente caracterizada por 3 elementos: - Negação, Retração e Introversão. Negar a raiva não elimina seu poder destrutivo, geralmente traduzida no corpo. Tentativa vã de sabotagem a si mesmo, criando desculpas ou ilusões. Retrair-se corresponde a necessidade de afastar-se das pessoas, situações e locais originários da raiva. E Introversão é a capacidade de transformar os estímulos em cenas permanentes, alimentados por pensamentos secundários. O fato vira uma novela que ocupa permanentemente a mente.
A Ira Internalizada gera:
COMPORTAMENTO PASSIVO-AGRESSIVO
- Incapacidade em atender alguns pedidos (desinteresse sexual)
- Redirecionamento da raiva para outras situações e pessoas (confusão)
- Repressão: estresse físico e psicológico (hipertensão, colite, enxaqueca, coceiras, cardiopatias)
- Pensamentos persecutórios, Depressão, Surtos e Suicídio.
- Ressentimento, amargura, vingança e ódio = PECADO
SOLUÇÃO: DIALOGO + ARREPENDIMENTO + PERDÃO
- Esclareça a questão com o ofensor, explicando sua percepção, e o mal que isto lhe ocasionou.
- Dê oportunidade para o outro dar sua versão do fato – OUÇA.
- Busque o entendimento. Julgamentos e retaliações não ajudam solucionar o caso. Ofereça/admita o Perdão.
- Esteja consciente que algumas conseqüências poderão permanecer.
- Comprometa-se em superar a situação.
LIDANDO COM TRAUMAS E RAIVAS ANTIGAS
Existem fatos injustos, traumas do passado que podem afetar toda a vida do individuo durante muito tempo, e às vezes seus resultados são permanentes. É importante livrar-se deste mal:
1º - Faça uma relação das injustiças cometidas contra você;
2º - Examine cuidadosamente a lista, e veja como você lidou com a raiva em cada situação (não importa há quanto tempo);
3º - Identifique as reconciliações impossíveis, veja o que de sua parte pode ser feito, decida esquecer e livre-se delas;
4º - Quanto aos outros resolva se vai “deixar pra lá” ou se vai buscar a reconciliação ou esclarecimentos. Pode ocorrer do outro nunca imaginar que lhe ocasionou tanto mal.
5º - Se for o caso utilize um mediador.
6º - Busque o perdão. Aprenda a perdoar a você e ao outro.
RAIVAS ESPECIAIS
Existem algumas raivas que não podemos admitir abertamente. Elas geralmente são encobertas e inconscientes. Nem por isso tem menos peso sobre a nossa vida. É importante buscar ajuda especializada neste caso. Por não ser consciente pode vir à tona em situações inesperadas e inusitadas. Tenha coragem busque ajuda. Estas raivas especiais são: contra Deus, contra os Filhos, contra os Pais e contra o Cônjuge. Por causa de religião, educação repressora ou princípios morais dificilmente são admitidas.
“Irai-vos e não pequeis, não se ponha o sol sobre a vossa ira...” São Paulo